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Este período teve inicio com a unificação das duas cortes Imperiais, a de Kyoto e a de Yoshino, que durante mais de meio século estiveram em divergência; coube o mérito dessa reunificação ao “Generalíssimo” Ashikaga Yoshimitsu, cujo governo, instalado em Muromachi, perto de Kyoto, deu o nome a este período.
O governo militar, fundado por Ashikaga Takauji, chegou ao seu apogeu no tempo de Yoshimitsu. Este último foi apreciador da arte e do luxo; foi de quem construiu notáveis obras arquitetônicas, como Kinkakuji (Templo Dourado) e Hana-no Gosho (Palácio das Flores). Ele difundiu a dança cerimonial “NÔH”, como também a Cerimônia do Chá. Exageradamente concentrado nas atividades artísticas e estéticas, ele se desinteressou da política, dando oportunidade aos. Oficiais regionais de se apoderarem das terras aumentando poderes militares e conquistando vantagens econômicas.
Enquanto isso se passava no pais, os pescadores, os comerciantes e mesmo os “samurais” procuravam a China para reabrir o intercâmbio comercial que se achava interrompido desde o tempo dos ataques dos Mongóis. Entretanto, como na maioria das vezes os Chineses se negavam a comerciar com os japoneses, estes começaram a saquear as costas do “Celeste Império”, tornando-se piratas profissionais. Foram eles temidos com a designação de “Wako” (invasores nipônicos), que passou a significar “piratas”. Anos mais tarde, o governo chinês procurou o governo de Muromachi para reatar o intercâmbio comercial, que deveria acabar com a pirataria.
O desinteresse dos governantes pela administração acelerou a decadência de Muromachi. A crise econômica aumentara, pois os esbanjamentos do “Generalíssimo” chegaram ao extremo. Finalmente, Yoshimassa, então chefe do governo, abandonou seu posto para refugiar-se no Monte Higashi, deixando vago o cargo para ser disputado dentro da família Ashikaga, o que veio motivar um choque militar: a Revolta de Onin.
Esta revolta serviu de pretexto para que dois senhores feudais, Mouri e Yaniana medissem suas forças militares. A guerra durou onze anos e dela participaram mais de 270.000 soldados guiados por todos os senhores (daimyo), cada qual a favor de seus próprios interesses, enquanto o governo de Muromachi, nada conseguindo fazer perante aquela anarquia, perdeu todo o prestigio.
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A hostilidade entre as cortes de Kyoto e de Yoshino prolongou-se durante meio século. Em 1392, o “Generalíssimo” Ashikaga Yoshimitsu conseguiu, mediante um acordo, uni-las. Assim a paz voltou a reinar sobre o pais.
No inicio do governo de Muromachi, o poder dos Ashikagas era bem restrito, mas na época de Yoshimitsu, a base do governo já estava solidificada e, quando a tranqüilidade voltou, os valores culturais passaram a ser considerados. Yoshimitsu mandou construir o famoso Kinkaku-ji (Pavilhão Dourado) em Kyoto, assim como o Hana-no Gosho (Palácio das Flores) com todo seu encanto arquitetônico e de jardinagem da época.
Como Yoshimitsu era apreciador da arte e do luxo, não se interessou muito pela política. Portanto, os oficiais encarregados da administração regional começaram a apoderar-se de grandes áreas de terra e a acumular poderes e, quando o governo central percebeu o perigo que o ameaçava, já era tarde demais.
No fim do período de Muromachi, o laço moral que até então unia o senhor (daimyo) aos seus vassalos acabou se desfazendo. Assim, o vassalo matava seu senhor para tomar-lhe o poder; o amigo atacava o outro para conquistar mais poder e terras. Descortinou-se, portanto, uma época trágica de guerras constantes que se alastraram por todo o território nipônico.
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Com os ataques dos Mongóis, o intercâmbio entre o Japão e a China fora totalmente interrompido. Entretanto, muitos japoneses procuraram reabrir o comércio que era necessário para melhorar suas condições de vida.
Hasteando a bandeira com os dizeres: “Hachiman Daibossatsu”, nome do deus protetor dos navegantes, as pequenas embarcações japonesas procuraram as costas chinesas e coreanas a fim de negociar. Todavia, os chineses e os coreanos, na maioria dos casos, negavam-se a comerciar com os japoneses, visto como estes eram considerados inimigos. Tais dificuldades levaram os japoneses a recorrerem à força, saqueando as aldeias e as cidades costeiras para conseguir as mercadorias desejadas. Assim, os japoneses acharam que era mais fácil saquear do que procurar entrar em acordo com aqueles povos, e acabaram se tornando profissionais. Eram eles temidos pelos moradores do continente, que o apelidaram de “Wako”, invasores nipônicos.
Enquanto isso, o governo de Ming, dinastia imperial que sucedeu na China à dos Mongóis, procurou o governo de Muromachi para firmar um tratado comercial, com a condição de acabar com a pirataria. Em virtude daquele tratado, o governo japonês tomou providências imediatas, organizando um policiamento especial contra os piratas. Exigiu um licenciamento para quem quisesse comerciar com o continente, de forma que os navios que não satisfizessem às exigências legais eram seqüestrados e os respectivos proprietários, punidos severamente.
Com aquela lei, os navios piratas foram desaparecendo, mas apesar de tudo, durante um século e meio os mares da China e da Coréia viram as façanhas de alguns “Wako”.
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A cultura do período de Muromachi desenvolveu-se consideravelmente desde a época do “Generalíssimo” Yoshimitsu até os dias de Yoshimassa. A principal particularidade daquela época foi à fusão da cultura dos guerreiros com a dos aristocratas, cujas características notam-se na dança ritual “Nôh” e na Cerimônia do Chá (Ochya no Yu).
A dança ritual “Nôh” teve origem num bailado primitivo chamado “Saru-gaku”, cujo inicio data dos fins do período de Heian. Aquela dança rústica foi evoluindo até criar o famoso “Nôh”, que Yoshimitsu muito prestigiou, patrocinando mestres notáveis como Kan-ami e Se-ami, pai e filho que determinaram o caráter e o estilo daquele bailado.
A Cerimônia do Chá, ainda hoje amplamente apreciada no Japão, foi instituída como uma espécie de ritual para a apreciação de típica serenidade oriental. As opiniões sobre sua origem são várias: uns dizem que provém da· China, enquanto outros afirmam ser uma típica criação japonesa. De qualquer forma, foi o “Generalíssimo” Yoshimassa quem mandou fixar as regras principais da cerimônia. Saborear um gole de chá dentro de um ambiente preparado e tranqüilo: isto despertou a atenção dos guerreiros e dos comerciantes de classe, que acabaram por difundir asse costume que lhes fazia sentir algo de espiritual. Com a aceitação do “Ochya no Yu”, deu-se também o desenvolvimento paralelo da arte da jardinagem, do arranjo de flores, da cerâmica o da pintura “sumi-e”. Principalmente neste último setor, surgiram artistas de renome como Sesshu e Kono Motonobu.
Também no período Muromachi, houve um grande impulso no campo literário. Foi escrito o “Otogui Zoushi”, um livro de contos, no qual se encontram lendas populares como a do anão herói, “Issum Boushi”, a do demônio beberrão, “Shuten Dôji”, e outras. Foi escrito também o “Taihei-ki”, a epopéia das lutas entre as duas cortes, a de Kyoto e a de Yoshino. Além disso, desenvolveu-se a famosa literatura de “Gossen” e, paralelamente, foi fundada a Escola Ashikaga, que se tornou o centro acadêmico de estudos avançados da época.
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No século XV, o governo de Muromachi já havia perdido sua força executiva e militar. Naquela altura, os oficiais regionais que já possuíam algum poder, mediante a formação do seu feudo, começaram a interferir nos assuntos do governo central.
Entre os senhores poderosos, sobressairam-se Hossokawa Katsumoto e Yamana Mochitoyo, que desde cedo começaram a entrar em choque. Todos os grupos regionais de guerreiros se uniram àquelas duas facções, cada qual defendendo o seu próprio interasse, prontos para entrar na peleja decisiva. Foi nessa ocasião que irrompeu um incidente de disputa pela posse do posto de chefia nas famílias de Ashikaga, Shiba e Hatakeyama, o que veio causar a Revolta de Onin. O governo de Muromachi nada pôde fazer perante aquele conflito. Perdeu, portanto, toda confiança de outrora.
Quando terminou a revolta, os grupos mais fracos haviam desaparecido, restando somente os mais fortes. Iniciou-se então uma época de força e violência. A linhagem familiar e a nobreza nada mais valiam perante a brutalidade armada. Já naquela ocasião, havia muitos feudos em todo o território. Cada um deles era governado por um “daimyo”, ou senhor feudal, que se preocupava pela defesa de sua propriedade, pois havia a constante ameaça de invasões por feudos vizinhos. Entretanto, todos eles estavam ansiosos para penetrar em Kyoto, a fim de conquistar o governo central, o da nação.
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